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ESTADO DE ESPÍRITO
Um papo sobre um ano do disco
Confira o papo de Roberto Barreto, Seu Manoel Cordeiro e Pupillo sobre o disco Estado de Espírito que completou um ano de lançado.

Como surge a ideia do disco?
ROBERTO BARRETO: Eu fui fazer uma participação no show de Seu Manoel no Festival de Guitarras. A gente já tinha muita vontade de fazer coisas juntos. Tínhamos se encontrado e falado:
"Temos que fazer uma coisa para entender esse universo das guitarras, essas duas estéticas de guitarra brasileira, o que vem ali da guitarra baiana, entre o elétrico, a construção daquela estética e a guitarrada do Pará."
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"Vamos se encontrar e gravar"
Seu Manoel é um ídolo, uma referência mesmo. E a gente se encontrou para fazer esse show. Eu ia fazer três músicas participando ali com ele e no ensaio começamos a mandar o que um e outro tinha ali de ideias. E ao tocar, a gente percebeu que deu liga imediatamente.
A gente entendeu que conseguiria tocar aquilo de várias formas… aquilo fluía com a coisa orgânica que a música precisa. E no palco, naquele dia, foi fluído desse jeito. E quando acabou o show, Seu Manuel falava o tempo inteiro:
"A gente precisa gravar isso e desse jeito que a gente fez, alguém registrar. A gente tocando desse jeito, simplesmente ligar as coisas e tocar."
E então começamos a trocar ideias. Quando a gente viu, já tinha um desenho da história. E a gente disse: "vamos se encontrar e gravar".
3 estados se unem…
Uma coisa que era fundamental para isso acontecer, da maneira que tinha que ser, era a gente entender quem queria produzir isso com a gente, quem iria contribuir para que isso pudesse acontecer.
E entre nomes que iam vindo... Quando a gente falou Pupillo, acho que a gente entendeu: é esse cara, é isso!
Roberto Barreto, o produtor musical Pupillo e Manoel Cordeiro nos bastidores da gravação do disco - Foto: @cartaxocopia
Bahia, Pará e Pernambuco
Porque tem um entendimento de muitas coisas, é aí que a gente foi entendendo que tinha Bahia, Pará e Pernambuco dentro disso, o Pupillo como produtor que já vinha fazendo trabalhos incríveis, já tinha feito coisas com Seu Manuel e eu também sempre tive muita vontade de fazer coisa juntos e foi assim que a coisa foi acontecendo até chegar nesse único encontro que a gente teve para gravar tudo.
Roberto Barreto e Manoel Cordeiro nos bastidores da gravação de Estado de Espírito - Foto: @cartaxocopia
MANOEL CORDEIRO: Eu acho que é a coisa mais forte de tudo isso, foi a vontade de tocar junto, de expressar o sentimento junto, pela musicalidade, pela história.
E quando surgiu essa oportunidade, eu achei fantástica. Foi um dos projetos mais lindos dos quais eu participei durante toda a minha vida.
Estou muito feliz com isso. Por esse projeto, pela companhia, pelos parceiros, pelos amigos. E pelo que conseguimos fazer de música, pela música que surgiu da gente. É uma música que nos faz bem para a alma.E por certo, fará bem para a alma das pessoas. É o estado de espírito. Abençoado.
Você tem alguma expectativa para o crescimento desse projeto?
MANOEL CORDEIRO: Se eu tenho alguma expectativa? Eu tenho até é muito. Eu acho que a gente precisa tocar muito, tocar muito por aí, mostrar esse disco.
Porque esse disco é uma das coisas mais legítimas, expressões de sentimentos de músicos que eu tenho contato ultimamente.
Isso precisa ser trocado no Brasil, fora do Brasil, as pessoas precisam ter contato com isso porque é muito bonito esse nosso estado de espírito, de uma alma que acredita num mundo melhor, que a gente acredita numa perspectiva. De paz.
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"É muito bonito esse nosso estado de espírito, de uma alma que acredita num mundo melhor, que a gente acredita numa perspectiva. De paz."
Manoel Cordeiro
E o que esse disco representa para você Pupillo?
PUPILLO: A beleza de juntar três representantes de estados irmãos e que tem uma contribuição histórica para a cultura brasileira, para a manutenção dessa cultura.
Então a gente poder se juntar de uma forma tão despretensiosa e realizar um trabalho que reflete bem a riqueza dos lugares de onde a gente vem, que a gente vem interagindo há tanto tempo. E realizar um trabalho como esse que mostra a riqueza mesmo dessa contribuição e dessa relação que a gente foi criando e consolidando através das nossas músicas.
E como foi a concepção da produção musical do disco?
ROBERTO BARRETO: Pupillo foi falando o tempo inteiro, nisso que a gente vinha dizendo dos três estados e dessa coisa grande, essa troca que tem, muito forte.
Mas sempre ele dizia assim: a gente não precisa marcar nada, não deixar nada muito demarcado, ou seja, ter uma coisa aqui que caracterize Pernambuco... que caracterize a Bahia, que caracterize o Pará de uma maneira caricata.
O disco está chegando na sonoridade e como ele olhava isso, muitas vezes com esse olhar de produtor mais de... fora, ele dizia, está chegando num lugar que não é o que, nem o que a gente tinha na cabeça.
Então, isso está chegando ali no lugar e a gente deixa que ele tenha essa cara que tem a ver com o que o Manoel falou. Experimentar uma outra coisa, né? E isso nos conduziu até na forma de interpretar aquilo que a gente já vinha fazendo.
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"O trabalho reflete bem a riqueza dos lugares de onde a gente vem, sem precisar marcar nada, não deixar nada muito demarcado… de maneira caricata. "
Pupillo
Tem alguma lembrança importante dessa gravação?
PUPILLO: O momento mais importante para mim foi o momento do encontro. O momento que a gente percebeu que... esse encontro. tava dando frutos onde a gente não precisava falar muito, onde a música falou. Falou mais alto, e a gente poder começar com o tempo a ampliar o conceito do disco e ter colaborações de outros músicos, a colaboração de Mário Caldato, que mixou o disco, então a gente foi ampliando através do nosso encontro que se deu dessa forma tão... espontânea e através do talento de cada um. Foi a música falando mais alto.
mRoberto Barreto e Manoel Cordeiro nos bastidores da gravação de Estado de Espírito - Foto: @cartaxocopia
ROBERTO BARRETO: Eu lembro de uma coisa que nesse dia que a gente se encontrou. Foi uma expectativa grande da gente ali ligando as guitarras como a gente fez a captação.
Pupilo manteve essa ideia de Seu Manoel bem forte de ligar as duas guitarras, os dois amplificadores, e mesmo com algumas músicas que não tinham nem ainda definido os beats direito, a gente ligar e tocar ali.
E nesse dia que a gente se encontrou, gravou algumas bases, alguns arranjos. Seu Manuel fez aberturas na hora ali. A gente tinha se encontrado no dia anterior, a gente ainda ali entendendo.
E aí quando a gente voltou, Pupillo tinha falado assim: "pô, eu tava conversando lá em casa, Céu comentou que é incrível essa coisa dos três estados, que ele deveria ter uma coisa de uma bandeira que juntasse os três estados, que estado é esse? Pernambuco, Bahia e Pará como esses estados muito fortes culturalmente, com religiosidade muito forte."
E aí é como se a gente se encontrasse nesse outro estado. E aí o Seu Manuel falou, é um estado de espírito.
Quando ele falou isso, foi no estúdio e todo mundo se olhou assim, caramba, é isso. Isso batizou, né?
PUPILLO: É uma conversa boa de uma vizinhança que se admira e que colabora. Isso vem muito da nossa história, né? Dos lugares de onde a gente veio. Ele tem essa relação de vizinhança e colaborativa, que um pega na mão do outro e fortalece.
MANOEL CORDEIRO: É muito legal, nessa altura de nossas vidas, com toda a experiência já vivida, com tudo já vivido, a gente poder estar... Três amigos. Falando de sonhar com música. Isso é muito fantástico.
Seu Manoel, como é que é essa experiência de estar colaborando com artistas mais novos?
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MANOEL CORDEIRO: Olha. É fundamental você está acompanhando a evolução da música, né? E eu sou muito atento para isso, eu gosto disso, eu gosto de aprender. Eu acho que o que está feito, a história está posta. E eu não tenho muito interesse nisso, eu tenho interesse em construir novos caminhos, novas parcerias. Porque é isso que move a vida da gente.
Eu acho muito interessante você estar sempre andando para frente, construindo para frente, entendendo tendências. Juntando informações, parceria, juntando... experiências. E construindo as novas.
Depois de Tudo…
ROBERTO BARRETO: Tem uma coisa que eu gostaria de falar sobre impressões que eu tive muito importantes.
Uma coisa é que Seu Manuel, ele tem uma coisa assim, um toque assim, ele começa a tocar qualquer coisa, aquilo já vem muito carregado de história, né?
E a música, muitas vezes, ela fica um pouco vazia justamente porque não tem essa história carregada ali. E Seu Manoel é incrível como ele abre horizontes, assim, cada momento, cada coisa, cada intenção rítmica ou uma sugestão de melodia.
Eu lembro que a faixa que fecha o disco, "Depois de Tudo", a gente fez na casa dele, na véspera de gravar. Quando a gente desacelerou "Mano a Mano que é faixa que vem antes dessa no disco, e começamos a tocar devagar… começou a mudar tudo. E ele mudou aquela levada e veio o que acabou sendo "Depois de tudo".
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"Seu Manuel, ele começa a tocar qualquer coisa, aquilo já vem muito carregado de história… é incrível como ele abre horizontes… "
Roberto Barreto
Assista o Visualizer de "Depois de Tudo"
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Direção de arte, capa, concepção visual - Filipe Cartaxo - @cartaxocopia | Visualizer: João Almeida

Ouça o Disco Estado de Espírito
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